quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um conto de fadas moderno, parte I

Ano novo tem sempre um potencial de mudança de vida. Com ela não era diferente. Já teve vários casos, é certo, mas nunca um namorado. Percebeu que só se envolvia com pessoas que viviam longe. Mas esse ano seria diferente. Sentia-se mais bonita, mais confiante e mais madura para entrar em um relacionamento. Resolveu que não passaria o ano procurando alguém como das outras vezes, mas também não deixaria nenhuma oportunidade lhe escapar. E foi numa dessas que entrou com umas amigas num tal de speed date, nos moldes das comédias românticas mesmo.

10 moças e 10 rapazes encontram-se em um bar qualquer onde 10 mesas com dois lugares os esperam. Para quebrar o gelo, cada um deve escolher um papel com uma pergunta e alguém para perguntar. Achou as questões um pouco fracas. Também pudera, alguém com uma alma tão sensível não se contentaria em saber qual a estação do ano preferida, ou qual viagem mais gostou de fazer, daquele que poderia virar o amor que tanto esperava. Respirou fundo e anunciou que não tiraria nenhum papel, formularia uma pergunta ela mesma.

Olhou nos olhos do único rapaz que a interessou realmente e disse: qual sua música preferida e o que ela te evoca?. A resposta, não se recorda mais. Depois de feita a pergunta, a vergonha tomou conta e imagino que tenha ficado bem vermelha. Em suas palavras: havia depositado energia demais na formulação da pergunta.

Depois da dinâmica, a parte mais constrangedora: moças e rapazes iriam, literalmente, escolher seus pares. Cada moça sentou em uma mesa enquanto os rapazes rodavam em sentido horário. Eram apenas 7 minutos para cada casal se conhecer e, ao final, cada um deveria marcar em sua prancheta as seguintes opções:

(   ) interesse (   ) amizade (   ) não interesse

E eis que chega a hora em que ela iria constatar se sua pergunta e toda aquela energia gasta valeram mesmo a pena. A impressão dele, ela não conseguiu perceber. Ou conseguiu e guardou só para ela. Mas o fato é que sentiu que eles tinham tudo a ver um com o outro. Rotinas parecidas, o mesmo amor à natureza e ao dia, as mesmas vontades. Sentiu, entre os dois, uma energia gostosa como poucas vezes sentiu com alguém.

Bom, mas apesar de speed, era preciso ainda aguardar o resultado. As responsáveis pelo encontro teriam que cruzar as fichas dos participantes e as opções marcadas na prancheta para, então, passar aos possíveis casais os contatos dos seus pares.

Foram 24 horas de grande ansiedade.

A boa notícia, no entanto, não aconteceu quando chegou a tão esperada planilha de Excel, mas 10 minutos depois quando, em sua caixa de mensagem chega um e-mail doce e delicado, pedindo pelo menos mais 7 minutinhos de encontro. E a assinatura? Adivinhem!

* A história relatada aqui é ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.