sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Rotulando

 E aí, vocês estão namorando?!, perguntei outro dia para uma amiga. Ahhhh, estamos juntos, mas para que rotular, né? Eu não fico com ninguém, ele também não, mas não gosto de rótulos. Eu, confusa, pensei: peraí, se eles só ficam um com o outro, se gostam muito, se veem sempre, porque tanto medo de chamar isso de namoro?!

Isso martelou na minha cabeça por alguns dias. Às vezes acho que as pessoas têm ou tem muito medo de assumir certas situações na vida ou ficam querendo parecer descoladas e desapegadas demais (ou as duas coisas). Não vou dizer que acho que todo mundo que tenta se livrar dos rótulos seja uma pessoa insegura e carente e, muito menos, que tudo o que estou dizendo aqui se aplica a qualquer situação, nem sei se aplica a situação dessa amiga, na verdade. Mas o que eu percebo muitas vezes é que as pessoas tentam se livrar dos rótulos não por desapego, e sim por medo. Por medo de sofrer, de fazer sofrer e, o pior, de assumir esse sofrimento. Por medo de ter que dar satisfação para os outros, ter que adotar determinado tipo de comportamento, ter que se privar de algumas coisas. 

A conveninência também é um fator que pesa em toda essa situação: já que não estamos namorando, se eu pisar na bola ou der um escorregão ali, ninguém vai poder dizer que eu errei, magoei, trai. Se eu brigar, discutir e "acabar", vou poder dizer para mim mesmo: ah, a gente nem estava namorando.

Mas até onde será que isso é verdade? Porque uma coisa é o que a gente mostra e diz para os outros, outra coisa é o que sentimos. Será que sofreríamos menos mesmo? Será que a pessoa se magoaria menos? Será que tudo isso ameniza as decepções e tristezas e intensifica os momentos bons? Sinceramente, acho que não. Para mim isso é apenas uma forma de enganar a nós mesmos.

De agora em diante, quando eu escutar alguém dizer por que rotular?, eu vou responder e por que não?. Quem foi que disse que rótulos são necessariamente ruins? Afinal, os melhores perfumes e as melhores bebidas ainda são rotuladas. A questão vai muito além do rótulo. O que importa mesmo é ser sincero com os próprios sentimentos, é ter coragem de assumir as alegrias e as tristezas, a saudade, as decepções e tudo o que vier no pacote.