terça-feira, 16 de maio de 2017

Se eu te amo....




Se eu te amo?
Sim, claro que te amo,
desde a primeira vez que te vi passar por aquela porta
e eu não sabia o que era que prendia meus olhos em você.
Te amei todas as vezes que você falava e meu coração disparava
e ainda mais no dia daquela cerveja.
Continuei te amando quando decidi me entregar a tudo isso
e você me acolheu tão bem, lembra?
E mesmo daquela vez que o não veio de mim
eu ainda te amava.
Era apenas medo.
Se tem uma coisa que eu sempre soube lutar foi contra meus medos.
Teve aquela vez do poema também,
você deixou sua vergonha de lado e colocou no papel.
Eu carreguei ele comigo e perdi.
Fiquei louca, fui atrás e achei.
Outro dia encontrei ele de novo, sem querer.
E lembrei como te amei muito quando a gente sorria
quando o dia era claro e o colo era tão aconchegante.
Mas te amei mais ainda quando as nuvens vieram,
quando eu me culpava por não entender onde eu estava errando,
quando eu sentia que estava lutando uma batalha muito difícil de ganhar.
E mais e mais quando o peso já estava impossível de suportar.
Te amei muito em cada lágrima e pedido de socorro,
em cada tentativa frustrada de te arrancar um sorriso.
Ah! E por falar em sorriso, quanta falta eu sentia dele
e de ver seu rosto iluminado como a primeira vez que te vi passar por aquela porta.
Desconfiada, sempre, isso era você,
mas misteriosamente iluminada.
Ah! E quanta falta eu sentia do abraço quentinho
que passou a ser tão protocolar.
Daqueles olhos que cintilavam quando me viam
e passaram a ser tão vagos e fugidios.
Mesmo assim, continuei te amando. Mais e mais.
Só que o amor virou prisão, sabe?
Eu moveria o mundo inteiro pelo teu sorriso.
Mas e o meu sorriso, onde tinha ido parar?
Se eu te amo?
É claro que eu te amo
e provavelmente seguirei te amando,
não vejo motivos para que seja diferente.
Mas eu me amo muito mais sem você.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Sobre deixar o amor ir embora (e um coração exausto)





Dói, dói mesmo. E parece que nunca vai deixar de doer. Por mais que você já tenha passado por isso, que você já conheça o começo, o meio e o fim desse sofrimento, a dor não é menor, apenas familiar. Dói todo o investimento emocional que você fez, doem todas as batalhas que você lutou para viver esse amor. Dói, sobretudo, perceber que, mais uma vez, você aceitou tão pouco. Logo você que sabe e sempre soube amar. Logo você que não mede esforços para o amor. Tão pouco, de novo. E continuando doendo. Dói ficar longe, abandonar os sonhos. Dói se sentir tão pouco valorizada. Dói enxergar a ingratidão, a falta de respeito, a falta de amor. Esse padrão que parece te perseguir... E você sabe, lá no fundo, que merece tão mais. Você, logo você, tão livre, tão leve, tão cheia de sol aí dentro. Pra que aguentar tanto peso, de tanta escuridão, de tantas presenças tóxicas? Mas dói, dói muito. E vai doer. Dói essa raiva que é dela, mas também é sua. Você que tem mania de se autoflagelar, de se culpar por tudo o que acontece, de achar que podia ter feito melhor, mesmo sabendo que deu tudo de si, tudo o que poderia ter dado. Como dói tanta insistência, né? Dói você não ter se livrado antes e ter aguentado tanto tempo ser ferida. Mas vai passar, você sabe que vai passar. Só que precisa doer. Dar adeus a um amor nunca é fácil, e não tem que ser.




quinta-feira, 27 de abril de 2017

Cheio de nós




Tudo ficou tão cheio. Cheio de amor. Cheio de mim, de você, de nós. Desses nós tão difíceis de se desfazer e que não puderam transbordar. Recusaram-se a se transformar em palavras. Havia tão pouco espaço que emaranharam-se nos nós de nós e não sabíamos mais quais eram os limites, as dores e as vontades de cada uma.

Mas desfizeram-se. Desfizeram-se em um adeus com cara de até logo. No entanto, um adeus é sempre um adeus. E também vem cheio. De lembranças, de mágoas, de tudo o que não pode ser dito. Vem cheio das palavras duras e daqueles nós que não conseguimos desfazer. Um adeus é sempre muito cheio de adeus.

Só que tudo continuou completamente cheio. Cheio de partidas, de perdas e de despedidas. Cheio desses vazios que insistem em ficar. Vazios tão sem saída. Cheio de solidão, de dor, de saudade. Continuou tudo cheio de nós, esse nó tão difícil de soltar. Esse nó que parecia tão atado, mesmo quando estava frouxo. Que parecia tão certo, mesmo quanto errado.

Continua tudo muito cheio.