sábado, 28 de janeiro de 2012

Eu não nasci para a poesia

Não, não nasci mesmo! E eu juro que já tentei. Ali, na minha adolescência, Ensino Médio, mais ou menos. Essa fase diabólica de nossas vidas que oscilamos entre ser atriz, engenheira mecânica, promotora de justiça e dentista. Pois é, foi aí que tentei. Lia, lia, lia e até arriscava uns versinhos, mas o máximo que eu rimava era coração com paixão e, quando queria ser mais ousada, rimava também com limão.

O pior é que não sou só ruim para ler, tenho uma incapacidade imensa de entendê-las. Com algumas exceções, claro. Pessoa, Drummond e Vinícius são meus preferidos, Bilac também, vá lá. Mas acaba aí. Ok, sou alfabetizada, sei ler e acho que escrevo bem. Então entender, eu entendo, mas não capto a essência, sabe? E eu até me acho uma pessoa sensível, mas não consigo, gente. É muita abstração. Leio, leio, leio e tá, enfim... e aí?

Definitivamente, eu nasci para a prosa. Saramago, Machado de Assis, Isabel Allende, Gabriel Garcia Marquez e as crônicas de Veríssimo. Cada qual com um estilo diferente, mas todos em prosa. Sem versinhos, sem rimas, mas com beleza e muita genialidade. O amor, a mulher e a flor viram páginas e páginas de imagens e descrições que se misturam em nosso imaginário, transformando dias em segundos, em uma lembrança única de um curto espaço de tempo.

Pensando bem, até existe uma poesia dentro da prosa. Alguém vai dizer que não precisa de poesia para ler Saramago e para entender a ironia ácida de Machado de Assis e Veríssimo? Ou discordar que seria praticamente impossível sentir a dor de Allende nas cartas escritas no leito de morte de sua filha, ou entender o amor de Florentino por Fermina Daza em Amor nos Tempos do Cólera?

É, não há como negar, a prosa não existe sem a poesia. E a poesia também não existe sem a prosa. Para bom entendedor, seja de prosa ou se poesia, não é meia palavra que basta, mas sim um pouco de sensibilidade, de calor no coração. Uma leve sede por decifrar o mundo das palavras, da literatura. E uma grande vontade de entender sentimentos e desvendar personagens que talvez nunca saiam de nossas vidas.