quinta-feira, 31 de março de 2016

Fragmentos em um bloco de notas


14 de janeiro. Já fazem 3 dias e nada. Será mesmo que vale a pena? De novo? Eu sei o que quero, por mais difícil que seja confessar. Ele não. Seus planos são outros, tem uma vida pela frente. Mas o meu tempo anda correr pra trás. Ele mal consegue falar em paixão, quem dirá amor. Adorar... adorar eu adoro qualquer pessoa que sorri pra mim. Não ele, ele não. É muito maior que isso. E já não devia ser amor? Ou eu que estou me precipitando? Você sabia, você sabia que ele é desapegado, desde o início. Aprendeu, desde cedo, a ter que deixar as pessoas. Seu olhos brilham para ver o mundo. E eu até topo, sabe? Mas ele nunca perguntou. Talvez não queira saber. Não quero a fórmula pronta de vida em que eu vinha me enquadrando até aqui. Mas quero um companheiro para minhas aventuras, perrengues e bons momentos. Será que conto isso pra ele? O outro tinha pavor de compromissos. Assumiu um. O pavor era comigo. Será que o dele também? Não quero passar por tudo isso de novo. Não quero me entregar, envolver e daqui há pouco: adeus. Mas não é ansiedade demais? Será que as coisas não podem mudar? Mas e se não acontecer?

09 de março. Valeu a pena?

quinta-feira, 24 de março de 2016

Felicidade proibida

Foi inusitado. De repente, começou a demonstrar um interesse desproporcional. Poucos meses atrás eles nunca haviam trocado uma palavra. Agora, parece que cada postagem é um motivo pra puxar assunto.

Aquela devia ser a segunda vez que se encontravam. Ele chegou com uma intimidade que não existia, tocando no seu ponto fraco: a tatuagem nova. Ela poderia ter balançado, mas sabia que aquele acesso era proibido. Como se não bastasse, aqueles copos que secavam feito água no deserto tinham que ter algum efeito. E teve. O abraço apertado e a declaração fora de hora a fizeram ligar os pontos dos últimos meses.

Não precisou de muito esforço, horas depois ele despejava em cima dela tudo o que já estava desconfiada. E, apesar de assustada, sentiu uma felicidade proibida lá no fundo. Sabia que nada aconteceria entre os dois e não era só por conta da aliança. Se já era fechada às oportunidades, quem diria às histórias que já começavam tortas.

Mas precisou admitir: nosso ego é mesmo egoísta. Saber que alguém era capaz de sentir tudo aquilo por ela sem, ao menos, conhecê-la direito, a fazia bem. Saber que ela ainda era apaixonável para alguém nesse mundo, era reconfortante. Uma felicidade proibida, mas autêntica.

Falou qualquer coisa para cortar assunto, com um sorriso escondido. Era sexta-feira. Ajeitou o batom vermelho no espelho do carro e foi sorrir para o mundo.


sexta-feira, 18 de março de 2016

Saudade não tem cor

A música toca repetidamente no som do carro. As janelas estão todas fechadas e a voz de Bethânia faz os vidros se arrepiarem, assim como a minha pele.

"Luto preto é vaidade

nesse funeral de amor

o meu luto é saudade

e saudade não tem cor".


Há dois anos eu tatuei saudade no meu braço, com a letra dela que foi meu maior amor. Há cinco anos eu abri um blog cujo título fala em saudade. Há um ano, outra tatuagem demonstrando toda a minha saudade de um grande amor. E eu ainda me espanto como o universo costura e entrelaça essas palavras na minha vida: amor... saudade... saudade... amor... em um ciclo sem fim. Como se minha missão fosse esse constante ter e perder...