quinta-feira, 31 de julho de 2014

Despedidas

Fico aqui, nessa sala de embarque observando.
Ele me acena de longe, ameaça ir embora, 
mas hesita e volta.
Me chama, eu levanto,
ele se vira, precisa ir.
Sento novamente, olho com os olhos marejados,
como é estranho perder quem nunca foi nosso de verdade.

Ela também vai, vai para o lugar que lhe pertence,
vai atrás dos sonhos.
Ela vai, de verdade,
e nós perdemos tanto tempo com bobagens.
Fecho os olhos e tento imaginar como será daqui para frente.
Como lidar com a ausência?
Como não ter mais o colo quando eu precisar,
a risada quando eu quiser.
Com quem eu vou comer a panela de brigadeiro,
ou rir de coisa boba por uma tarde inteira sem cansar?

Ele resolveu brilhar
mas longe, bem longe daqui.
Quer ganhar o mundo, conquistar pessoas.
Viver.
E vai levar embora todo o encanto,
todo esse bem estar que nos toma por completo.
Vai levar as brincadeiras, as piadas,
a animação que contagia.
A única coisa que vai deixar é saudade.

Ela quer amor. E vai atrás de amor.
Vai levar um pedacinho desse amor com ela,
um pedacinho que ainda nem existe, mas já dá saudade,
já pesa no coração,
já faz a gente juntar as economias pra ir também.
Vai levar as melhores lembranças da infância,
o parentesco fake que não poderia ser mais verdadeiro.

E eu continuo aqui, sentada nessa sala de embarque
tentando decidir o que vou fazer com esse coração tão espalhado
mundo afora.