quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Todas as declarações de amor são ridículas



Lembra-se de chegar na sala de aula, ainda criança, e ter um ursinho com uma mensagem de amor em sua carteira. Ou do amiguinho que pedia para os pais ligarem para sua mãe levá-la para brincarem juntos, e ele não conseguia nem falar direito quando ela chegava.

Os bilhetinhos na escola viraram cartas, poemas, flores, quadros, canções, viagens. Difícil pensar em alguma declaração de amor que não havia recebido. Em tempos de internet, nem e-mails haviam escapado. E ainda se surpreendia ao receber mensagens de pessoas que pouco ou nada a conheciam e nutriam uma admiração por ela que nem a própria entendia. Guardava tudo com muito carinho e uma certa desconfiança.

Declarações de amor pouco ou nada significavam para a garota. Diga o nome de sua banda preferida, ou a cor que mais gosta. Cite três filmes que emocionaram, ou três músicas que a fazem arrepiar. Acerte seu prato favorito, ou a leve para uma viagem inesquecível. Ria de seu sarcasmo e a faça rir com bobagens. Entenda o tanto que ela pode ser sensível e um pouco bruta. Veja como ela gosta de cuidar e ser cuidada. Coloque-a no colo, nos braços ou a jogue na cama. Mas não envie flores antes de enxergar tudo isso. Ela odeia rosas vermelhas. Ela detesta poesia rimada.

Tudo isso a enche de tédio. Ela quer aventura, prazer, movimento. Ou simplesmente alguém que a enxergue.