sexta-feira, 8 de março de 2013

Minhas palavras em textos alheios

Li no Don´t Touch My Moleskine:

O amor padece de, pelo menos, dois grandes sobressaltos, por Flavinha Marques

Eram oito horas da noite quando eu pisei no seu pé e levei um tiro no peito. E descobri que o amor padece de, pelo menos, dois grandes sobressaltos: aquele em que se encanta e aquele em que se desfaz. A flor que se desprende. O retrato antigo. O pincel na água depois da aquarela. Todos vêm nos lembrar que a beleza é finita, mas a gente só recorda num atropelo do destino. Num dia em que Deus parece beber ao volante. Sendo que é você quem gira e se estraçalha lá na frente. Coração com fratura exposta e nada da ambulância chegar. Fazer o quê? Ir pingando até a emergência mais próxima. Tome isso, tome aquilo. Chora mais não, já passou. Passou nada. Um cuspe na cara teria doído menos. Mas não haverá revanche. Respeitável público, pode retirar, no guichê mais próximo, o seu dinheiro de volta. Aqui só o bem se apresenta. E que fique claro que o bem não é escolha relegada aos idiotas. O bem é uma arma silenciosa, que não ataca; defende os fortes de caráter. Os que sabem que alma não é coisa que se venda. Vai, atira. Atira! Eu só observo. Eu sou o prisioneiro diante do seu seu algoz. E o que vejo é que se o meu amor transborda em uma carta escrita à mão, o que você é cabe em um bilhete, enquanto o seu mal se espraia aos quarto ventos, sem medida. E, de alguma forma, volta pra você. O seu mal, que me castiga, sem delito, é o mesmo que há de lhe servir de lição. O mal que eu não lhe desejo, mas que eu espero que lhe ensine a ser alguém de verdade, que um amor não é troféu e que não, você não é tão esperto assim. Agora, dá licença, que eu preciso recolher o que sobrou de mim. Dá licença, que esse jogo eu levo, porque a aposta sempre foi mais minha do que sua. Por favor, dá licença, que eu vou ali e não volto. Vou beber com Deus, pra comemorar que sim, você já passou.

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