sábado, 7 de março de 2015

Como água





Se você fosse uma comida, não sei se seria doce ou salgado, azedo ou amargo. Não sei se cairia bem em um jantar, em um brunch, em um almoço. Se seria acompanhado de espumante ou uma cerveja.

Talvez fosse mais fácil ser um vinho, daqueles que começam fortes, encorpados, depois deixam um gosto tão doce na boca que faz a gente guardar o rótulo, a cor e o sabor na memória. 

Se fosse uma música, seria uma sinfonia inteira, com movimentos mais vibrantes intercalados com outros mais calmos. Teria notas fortes, dessas que nos fazem sentir o coração na boca. Teria notas penetrantes, dessas que arrepiam a pele. E cada nota ficaria marcada dentro do peito, como se você fizesse parte de quem te escutasse. 

Talvez você combinasse mais com um perfume. Daqueles que despertam atenção no inicio e deixam rastro por onde passam. Que nos deixam atordoados com o cheiro cítrico no início e adocicado no fim. Daqueles que não entram pelos pulmões, vão direto ao coração. E que nos fazem lembrar cada detalhe do instante em que te sentimos pela primeira vez. 

Você não é uma comida, um vinho, uma música ou um perfume. Mas é todo esse misto de sensações que te faz inesquecível. Você, meu querido, é água. E se faltar, minha vida fica insustentável.