sexta-feira, 14 de junho de 2013

Poderia ser 1965, mas é 2013

Eu dormi na democracia e acordei na ditadura. Eu dormi em um país em que o protesto era permitido e a imprensa livre, acordei em um onde o povo reivindicar por seus direito é baderna e jornalista é bandido.

Baderneiro tem em todo lugar e é sempre um risco que se corre quando existe um aglomerado de pessoas, mas nada justifica o que vem acontecendo em SP e no RJ nos últimos dias. Nada.

Arrancar estudantes de dentro do hospital, feridos e passando mal por causa das balas e do gás da polícia, não é ordem. Atirar em jornalistas não é ordem. Cercar manifestantes que tentavam dispersar e fugir das confusão não é ordem. Prender quem carrega vinagre para se proteger do gás não é ordem. Conter com violência uma manifestação que pede direitos não é ordem.

Não são apenas 0,20 centavos que estão em jogo aqui. São, pelo menos R$ 10 mensais no salário de um trabalhador que vive com apenas R$ 600. É um país indignado por gastar 33 bilhões em uma Copa do Mundo, enquanto a saúde está um lixo, a segurança uma vergonha, dentre outros bilhões de problema. É um povo inconformando com tanta corrupção, com os gastos desnecessários, com as coisas feitas de qualquer jeito.

Acordei com muita vontade de chorar hoje, chorar de vergonha, chorar de raiva. Chorar pelo país que eu amo, mas me envergonha. Chorar pelo tempo perdido com estatutos absurdos, com leis sem lógica; pelas ocupações e desocupações injustas; pela violência nas ruas, dos bandidos e da polícia; pela saúde jogada às traças; por tanta roubalheira; pelo medo que tenho de andar na rua sem me preocupar; por morar em uma cidade que construiu o estádio mais caro da Copa, sem financiamento, e nem time tem para jogar; pelo descaso do governo com nosso dinheiro, nossa vida e nosso futuro; por saber que ano que vem tem eleições e vamos votar nos mesmos filhos da puta que estão aí, estragando tudo.

Uma coisa é boa nisso tudo, os olhos do mundo estão virados pra cá. Então é hora de protestar mesmo. De ir às ruas e mostrar lá pra fora que o buraco aqui é muito mais embaixo. Que a gente tem estádio, mas não tem médico, não tem segurança, não tem escola, não tem liberdade, não tem paz.

Espero, do fundo do meu coração, que outras cidades sigam o exemplo de RJ e SP. O brasileiro precisa aprender a exigir seus direitos.