segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Lugar dos sonhos



Disseram-me que era o lugar dos novos amores, eu não acreditei. Fui desarmada e encontrei uma vila toda feita de amor. Entre o rio e o mar, o verde e o céu existia o infinito. 

Lá eu tinha os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Podia ser dançarina de forró ou passista de escola de samba. A princesa que Chico quis coroar ou a tigresa de íris cor de mel que seduziu Caetano. A carroça virava carruagem, a areia, passarela. Netuno, o deus do mar, era a bebida divina. 

Lá eu podia ser como eu quisesse. Podia gostar das músicas que odiava e detestar as músicas que eu amava. Calçava a terra, me vestia de sol. 

Comia pizza na vila e pastel em Belém. Jantava no café da manhã e almoçava na janta. Não tinha mundo fora daquele mundo. O mundo era o mar. 

Lá eu falava com a lua e caminhava com o sol. Fazia do céu estrelado meu teto e meu prazer. E do barulho das águas a trilha sonora do meu dias. Meu coração de pedra inflou de felicidade. 

Ali o ano virava magia. As horas duravam dias e os dias uma vida inteira de coisas boas. O tempo não passava, mas acabou muito mais rápido do que eu gostaria. Tinha esperança naquilo tudo. Esperança de que os dias sejam leves como foram ali, no meu lugar dos sonhos.