sexta-feira, 12 de abril de 2013

Chegou a hora

Foto: https://www.flickr.com/photos/xjaysonx



Todo fim é uma morte, exige um luto lento e dolorido.  Exige sofrimento, dor. Uma dor que não dá para entender o quanto é física, o quanto é emocional, mas dói como uma punhalada, tira nosso ar e a vontade de acordar no dia seguinte. Exige choro, saudade. Um choro compulsivo, uma saudade apertada de algo que nunca mais voltará. Um aperto no peito que oprime, pesa. Exige raiva, revolta, mágoa. Por que comigo? Por que com a gente? Onde erramos? Impossível não nos enchermos de perguntas muitas vezes sem respostas. Impossível não querer enganar aquele amor que ainda está ali, incomodando, com uma raiva cega, irracional. E não adianta querer sair por aí mostrando que você está bem enquanto seu coração está em pedaços, ninguém acredita. Nosso coração grita muito mais alto do que imaginamos.

Contudo, todo luto exige, também, uma recuperação. Que dure meses ou anos, ela precisa chegar. Aquela hora que você olha para dentro de si e diz: chega!  Você chorou, sofreu, sentiu raiva, maldisse o amor e a paixão, xingou, bebeu e mandou mensagem, ligou, ficou sem comer e sem dormir. Agora já deu. Chegou a hora de abrir as janelas do coração, tirar o pó, deixar entrar um ar. Chegou a hora de arrumar a casa para receber novas visitas. De se olhar no espelho e ver como você conseguiu se sair bem e muito mais forte de tudo isso. Chegou a hora de você colocar um vestido florido e sorrir para o mundo.

Pode ser que as feridas ainda não tenham cicatrizado totalmente e que você ainda derrame algumas lágrimas. Pode ser que você ainda tenha medo de se deixar viver tudo novamente, de se entregar para alguém, de permitir que uma nova paixão apareça. Mas isso também vai passar. Enquanto isso, apaixone-se por si mesma. Quando menos imaginar alguém se apaixona por você e você, olha só, vai voltar a sorrir como uma boba e sentir aquelas borboletas tão gostosas no estômago sem nem perceber.