quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O que ela quer da gente é coragem

Foto: https://www.flickr.com/photos/jridgewayphotos

Ainda acho engraçado quando amigos dizem que sou corajosa. Não me acho nem um pouco. Na verdade, diria que sou uma das pessoas menos corajosas que conheço: estudei a vida inteira na mesma escola, morei a vida inteira na mesma casa, tive quase sempre os mesmos amigos, enfim, nunca mudei muito, nem me esforcei pra isso. Além disso, posso citar aqui pelo menos umas 10 pessoas próximas muito mais corajosas: desde a amiga que larga tudo pra passar 1 ano na Ásia, até a que se joga no mundo (mais precisamente na Europa) toda vez que seu coração manda. E eu continuo na minha vidinha classe média brasiliense. Pelo menos consegui fugir do fluxo passar num concurso - casar - ter filhos, o que já pode ser considerado um grande passo de coragem pra quem mora aqui.

Meu único ato de coragem nos últimos tempos foi aprender a dizer mais "sim"  para a vida, antes de reagir com aquele "não" iminente. E foi dizendo sim que eu descobri que a vida é muito mais simples do que eu imaginava. Descobri que viajar sozinha para um lugar desconhecido com língua desconhecida não é nenhum bicho de sete cabeças; que morar sozinha tem um monte de contratempos, mas uma liberdade incomparável; que por mais que nosso coração esteja em um lugar, é bom a gente se jogar em novas aventuras, a vida sem frio na barriga não tem graça; que sorrir, conversar e se permitir conhecer pessoas que não tem absolutamente nada a ver com a gente é extremamente gratificante e enriquecedor; que experimentar uma comida nova é bom pra caramba; que ir a lugares estranhos e diferentes pode ser muito divertido. Mas talvez o que eu melhor tenha aprendido é que dizer sim para as nossas vontades é a melhor coisa que existe. Parar de viver e de querer viver a vida do outro é mais do que coragem, é crescimento, maturidade.

Eu resolvi, então, dizer sim para a minha vida e assumir as consequências das minhas escolhas. Parar de pesar demais os contras e apostar nos prós. E, olha só, descobri que na maioria das vezes são os prós que contam mesmo. Mas quando os contras pesam mais, a gente muda de novo, não tem nada de errado nisso. Ninguém fica me apontando na rua quando eu mudo de ideia, nem quando eu desisto de alguma coisa. Por outro lado, quem gosta de mim fica extremamente feliz quando vê meus projetos dando certo, e isso é muito gratificante.

E é isso. 2013 termina de viagem feita, alma lavada, casa nova, emprego novo, 18 km de corrida completados e a vida muito melhor do que eu podia imaginar. Com muito mais segurança de quem eu sou e do que eu quero pra mim, com muito mais vontade de escrever o roteiro da minha vida, com a certeza de que posso corrigi-lo ao longo do caminho, quando eu bem entender.


Coragem? Acho que não, só resolvi tomar as rédeas da minha vida. Afinal, ela é minha, não preciso que ninguém a conduza.