Não, meu amigo, esquece, ela não quer esse tipo de amor. Esse amor dependente, devoto. Não.
Ela quer ser admirada, não idolatrada. Ela quer alguém que caminhe ao seu lado, não alguém que só corra atrás.
Não, ela não quer, de jeito nenhum, que você mude seus sonhos por ela. Não quer que você viva a vida dela. Nem que você concorde o tempo inteiro ou faça todas as suas vontades. Ela não quer esse olhar de quem não enxerga quem ela realmente é, com um monte de defeitos. Nem alguém que a ache infalível.
Ela não quer ser responsável pela sua felicidade, pelo seu sucesso, pelas suas boas lembranças. Ela não quer dividir nada com você, quer alguém que some na vida dela. Não quer esse mar de rosas, essa vida colorida que você promete. Quer um oceano de águas agitadas, com marolas e ondas altas, com calmarias e tempestades. Quer uma vida com cores, mas com cenas em preto e branco também.
Ela quer alguém que faça rir acima de tudo. Que seja companheiro, mas que a conteste e a contrarie quando for preciso. Quer alguém que dê colo, mas dê bronca também. Que a deixe com saudade, de verdade, e depois mate essa saudade da maneira mais intensa possível.
Alguém que a ame e a desafie. E que tope fazer da vida a dois uma aventura.
É, gente, o Brasil perdeu. O hexa não veio, mais uma vez. E eu, que tanto não quis Copa, me rendi ao espetáculo. Religião? Não, se tem uma verdade nesse país é dizer que "o futebol é o ópio do povo", durante noventa minutos
Resisti até o último segundo. Não falei antes, não comprei ingresso, nem camisa eu tinha. Não durei um dia de Copa. Primeiro jogo estava eu lá, torcendo, sofrendo, querendo entrar em campo. Não consigo, a minha nação, a minha bandeira falam mais alto.
Mas eu também dei muita gargalhada, porque a Copa virou a Copa dos memes. Porque, enquanto meu coração estava apertadinho de tristeza pela seleção, meu celular não parava de apitar com milhões de imagens e vídeos engraçados sobre a nossa derrota. E aí, mais uma vez, foi uma gargalhada de orgulho, pela nossa capacidade de não nos deixar abater, de pegar os limões e fazer um deliciosa caipirinha.
Para o Brasil, acabou, mas a Copa ainda está aí. Como bons brasileiros ainda nos resta aquela secada saudável na Argentina, tri no Maracanã não dá. Ainda nos resta terminar a Copa do mesmo jeitinho que ela começou, sendo a Copa das Copas. Não porque a FIFA quer, mas porque nós fizemos isso.
E quando a Copa acabar, vai deixar uma saudade imensa no nosso coração. O Brasil não levou, mas nós, brasileiros, levamos, por tanta alegria e receptividade. Bem que a gente queria estatizar a FIFA, fazer Copa todo ano no Brasil, com turno e returno. Não dá.
Nós prometemos manifestações durante o torneio. E demos sorrisos, abraços, amizade, festa e alegria. Mas os problemas continuam onde sempre estiveram. Os aeroportos estão reformados e os estádios de pé, mas os hospitais e as escolas continuam precários. O transporte público continua não funcionando, a segurança então, nem se fala. Nossos políticos ainda são corruptos, nossa desigualdade ainda é das maiores do mundo. Nós ainda continuamos subornando policiais e furando filas. Ainda falsificamos carteirinha de estudante. Ainda trocamos votos por favores. Nosso país ainda é racista, homofóbico e machista. E, pior, nós, que sempre fomos acusados de passividade política e falta de engajamento, nem podemos mais ir às ruas exigir nossos direitos. Não, ao menos, sem ter que correr da polícia ou respirar gás lacrimogêneo. Viramos vândalos, criminosos, vagabundos.
Apesar de tudo, sabe o que essa Copa mostrou para mim? Que somos patriotas sim, somos muito patriotas. Somos patriotas com ou sem Copa. Nós fizemos a Copa mais linda da história, mas estivemos dispostos a abrir mão dela pelo país. A um ano atrás essa paixão que nos fez chorar diante da TV hoje, estava nos gritos de protesto que pediam transporte público mais barato, saúde, educação e exigia nosso direito de protestar. Isso é ser brasileiro. É essa paixão, essa vontade de mudar, de fazer diferente.
Não foi a Dilma, não foi o PT, não foi o Aécio, nem o Fred, nem o Zuñiga, muito menos o Felipão culpados pela nossa derrota. Aconteceu, não funcionou e isso é esporte. Não existem mocinhos e bandidos e precisamos parar com essa mania de procurar os heróis e o vilões. Precisamos parar misturar futebol e política, a Copa não vai decidir as eleições.
Faltam quase 80 dias ainda. Temos um monte de candidatos para analisar e debates para assistir. Amanhã a dor dessa derrota passa, mas vamos enfrentar uma batalha muito maior: decidir o futuro do nosso país. A minha sugestão é esquecer se você é azul ou vermelho, pegar a camisa verde e amarela e toda essa paixão pela nossa bandeira e amarrar nessa decisão. Vamos pegar esse nosso entusiasmo e esse orgulho de cantar "sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" e colocar no nosso direito de exigir nossos direitos. Toda essa boa vontade que tivemos para receber os estrangeiros, vamos usá-la para cobrar nossos governantes, para escolher bem os que entrarão.
Vamos, vamos mostrar para o mundo que somos Brasil dentro e fora do campo!
Amo. Não um amor qualquer, desses que encontramos em qualquer esquina. Amo um amor único, verdadeiro.
Amo um amor desses que aguenta a distância, seja ela física ou não. Aguenta os chuviscos e as tempestades, só não aguento a indiferença.
Amo um amor que dá saudade, every single day, do abraço, da palavra, do sorriso. Um amor conformado, de quem pouco ou nada mais pode fazer, mas sente falta dezenas de vezes por dia.
Amo esse amor assim, inquieto, sofrido, que só quer estar junto. Em todos os momentos.
O que me encanta é gente bonita, mais por dentro que por fora. Gente que tem o coração grande e, mesmo que falte espaço, arruma um jeito de fazer caber quem precisa. Gente que ajuda até quando não pode, que abre os braços cansados, que perde noites de sono e ainda amanhece com um sorriso.
Gosto de quem fala olhando no olho, de quem tem atitude e assume o que sente. Gosto de gente que se expressa com o olhar e se declara com um toque. De gente que me faz ter ataques de riso e topa até programa de índio.
Me apaixono por sorrisos sinceros e abraços calorosos. Gosto de quem sabe dançar ou dança mesmo sem saber. De quem atravessa a cidade por um beijo, de quem faz chá quente.
Gosto, mas gosto mesmo de quem quer estar junto, mesmo que a distância.
Tudo bem se nada deu certo, se chegou até o fim é porque deu.
Tudo bem se você tiver que dar dois passos para trás, você já sabe como é lá na frente e viu que é melhor mudar de caminho.
Tudo bem se a sua vida parece jogada no modo shuffle, já, já ela acerta e aí quem vai querer reprodução aleatória é você.
Institua-se um decreto onde a desonestidade seja proibida. Onde a mentira e a falta de respeito sejam punidos. Institua-se um decreto onde seja proibido partir um coração, sob pena de sofrer o mesmo, em proporções maiores. Institua-se um decreto onde seja crime dizer o que não sente, prometer o que não pode cumprir. Onde a preocupação com o sentimento do outro seja obrigatória. Por favor, institua-se um decreto onde as pessoas sejam obrigadas à sinceridade. Onde não se minta só para obter vantagens.
Institua-se um decreto onde seja proibido, terminantemente proibido brincar com os sentimentos alheios. Onde o papo furado seja censurado e as mentiras, castigadas. Um decreto que nos salve e nos preserve de tanto desamor e tanta desilusão.
Aquele era seu canto, o que escolheu para deixar seus pensamentos correrem. Carregado de lembranças, é verdade. Foi o local do seu último adeus e onde tantas vezes misturou suas lágrimas com aquelas águas. Era também o lugar onde conseguia encontrar o ar que lhe dava coragem para enfrentar seus fantasmas. Sexta-feira a noite, deveria estar bebendo com os amigos ou dançando o forró que foi tão insistentemente convidada. Mas precisou fugir, mesmo sentindo um frio de doer a espinha.
O que a levava para lá, nem ela sabia direito. Saudade, raiva, tristeza? Angústia. Angústia é um pouco disso tudo. Era aquela angústia que de tempos em tempos batia no peito. Não queria esperar, mas esperava. Não queria duvidar, mas duvidada. Não queria desconfiar, mas desconfiava. Queria mesmo era a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida. Como era possível se seu coração há muito não tinha essa tranquilidade? Tinha só uma porção de feridas abertas que insistiam em não cicatrizar.
Andava feliz ultimamente, descobriu que seu coração não era lá tão de pedra assim. No entanto, lutava todos os dias contra outros inimigos que tiravam seu sono, sua paz e suas certezas. Lutava contra seus traumas e aquele medo paralisante de passar por tudo de novo. Não seria capaz de aguentar.
E na imensidão daquelas águas artificiais, fixava seu olhar e deixava seus pensamentos irem embora. Há meses resiste, mas está prestes a desistir e ir embora sem deixar rastros novamente. É mais uma batalha perdida contra seus fantasmas.